Durante 12 dias a capital brasileira foi palco para o Festival Internacional de Cinema de Brasília. O evento, que reuniu filmes internacionais e nacionais inéditos na cidade, criou oportunidade para muitas pessoas assistirem a produções que dificilmente entrarão no circuito comercial do DF
O Festival Internacional de Cinema de Brasília acontece anualmente na capital desde 1999. Sempre oferecendo ao público brasiliense um diversificado repertório de filmes produzidos em diversas partes do mundo, tornou-se referência nacional para os cinéfilos. “O festival seleciona da lista de filmes dos grandes festivais, como o de Cannes e Berlim, os melhores e os convida formalmente para fazerem parte da nossa seleção”, explica o coordenador de filmes do festival, Ruan Canniza. Só este ano, 86 filmes, estrangeiros e nacionais, entraram na programação. Nas mostras competitivas, alguns prêmios foram entregues, entre eles: “Prêmio Buriti – Melhor Filme”, “Prêmio Especial do Juri” e “Prêmio TV Brasil” – neste último, Insolação de Felipe Hirsch e Daniela Thomas, filmado em Brasília, foi premiado como melhor filme. A programação deste ano pôde ser conferida nas salas do Centro Cultural Banco do Brasil e da Academia de Tênis José Farani – onde também aconteceu a abertura do evento, no dia 4 de novembro, com um coquetel para cerca de duas mil pessoas.
Para a abertura do festival deste ano, o filme escolhido foi A Fita Branca, do cultuado diretor austríaco Michael Haneke. Rodado todo em preto e branco, o longa narra estranhos acontecimentos em uma pequena vila alemã às vésperas da 1° Guerra Mundial. Premiado com a Palma de Ouro no prestigiado Festival de Cannes em maio deste ano, o filme dividiu opiniões da platéia. Silvino Mendonça (22), recém formado em Publicidade e Propaganda e freqüentador do FIC há aproximadamente cinco anos, aprovou a escolha: “Excelente. Um filme forte, com temática complexa e instigante. Uma abertura atípica para o FIC, que geralmente escolhe produções leves e de grande apelo popular para dar início ao festival.” Já a estudante de Letras Karine Neumann (19) não ficou tão satisfeita assim: “Por mais que a proposta do filme seja interessante, achei muito longo e cansativo. Não foi uma escolha muito feliz para abrir o festival, vi pessoas saindo da sala de cinema no meio do filme.”
O FIC Brasília cria oportunidades para o público assistir a produções inéditas na capital. A maioria dos filmes posteriormente não entra em cartaz no circuito comercial nacional. “O grande lance, na verdade, é trazer filmes que estão fora do circuito comercial tradicional”, declarou a estudante de Cinema e Artes Plásticas Marisa Miranda (19). “O FIC é uma chance única de ver muitos filmes, independente da nacionalidade”, completou Silvino Mendonça. Os jovens destacam que para a escolha dos filmes que assistiram no festival valeu dar uma olhada em sinopses e fichas técnicas, procurar trailers na internet, ler críticas e comentários em sites e blogs e até mesmo aproveitar a indicação de amigos. Este ano, os filmes com maior audiência no festival, segundo organizadores do evento, foram Tokyo!, New York, I Love You e o polêmico Anticristo.
A XI edição do FIC Brasília também fez parte da programação do Ano da França no Brasil, exibindo um panorama do atual cinema francês. O filme de encerramento do festival foi o aguardado Coco Chanel & Igor Stravinsky, de Jan Kounen, que se passa na França de 1913. Outros filmes franceses como Barbe-Bleue, de Catherine Breillat, Je Veux Voir, de Joana Hadjithomas e Khalil Joreige e Nulle Part Terre Promise, de Emmanuel Finkiel também puderam ser vistos no festival deste ano.
Quando se trata da organização do evento as críticas se dividem. “Acho o FIC o melhor festival de cinema de Brasília disparado. A organização é sempre impecável, dá pra ver que todos se empenham ao máximo pra fazer tudo dar certo e, conseqüentemente, sempre dá”, ressaltou a estudante de Cinema Natasha Funes (21). Já o estudante de Direito Gabriel Soares (21) acha que “os encerramentos sempre são desorganizados e mal estruturados”. Entre elogios e reclamações, o FIC Brasília continua sendo um dos maiores destaques no calendário cultural da cidade. Este ano o festival durou 12 dias e atraiu cerca de 25.000 pessoas interessadas na diversificada programação de filmes.
Mais filmes
Logo após o encerramento do FIC Brasília, foi a vez do 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro celebrar o cinema contemporâneo. O festival, que teve 366 produções nacionais inscritas – dentre elas 52 brasilienses – aconteceu entre os dias 17 e 24 de novembro no Teatro Nacional Claudio Santoro e no Cine Brasília.
O Festival de Brasília (como é popularmente conhecido) é o mais antigo do país, além de ser considerado de suma importância para estimular a produção cinematográfica brasileira. O evento surgiu no período da ditadura militar e chegou a ser proibido entre os anos 1972 e 1974. Este ano o filme de abertura foi Lula, o filho do Brasil, de Fábio Barreto. O longa é baseado na história da vida do presidente da república, Luís Inácio Lula da Silva. Os ingressos para assistir aos filmes tiveram preço acessível: três reais a meia entrada. Ainda assim, assistir aos principais longas e curtas da Mostra Competitiva não foi tarefa fácil: era preciso chegar cedo à bilheteria para comprar um dos disputados ingressos. Conseguir um lugar para sentar era outro problema: Com mais pessoas dentro da sala do que assentos, a alternativa para alguns foi sentar no chão (e até mesmo o espaço deste último foi disputado).
Outro evento que vale a pena conferir é a 5ª Semana Venezia Cinema, que começou nesta sexta-feira (27/11) e vai até quarta-feira (2/12). A mostra acontece no Cine Brasília (EQS 106/107), onde estão sendo exibidos filmes italianos que estrearam este ano na 66ª Mostra Internacional de Arte Cinematográfica de Veneza. Entre eles estão Dieci inverti, de Valerio Mieli, Il grande sogno, de Michele Placido, e La doppia ora, de Giuseppe Capotondi. Veja mais sobre a programação no site da Secretaria de Cultura. Os filmes são exibidos às 19h30 e a entrada é franca.

















