Crônica baseada na notícia “Pai sequestra filha e ambos morrem em queda de avião em Goiânia”, publicada no site do jornal Zero Hora no dia 12/03/2009. Leia a notícia aqui.
Aquele Dia
Todos os dias quando acordo ainda é cedo demais para sair da cama, então lá pelas 6h ligo a televisão e já está passando o primeiro noticiário do dia. Incrível como ainda suporto todas as notícias trágicas que acompanho do momento em que me levanto ao que vou me deitar.
Mas foi nesta quinta-feira, em especial, que me surpreendi por ter finalmente começado o dia com o pé direito, ou ainda melhor dizendo, com o canal direito, pois não ouvi uma matéria sequer na televisão envolvendo tragédias. Logo me levantei, preparei meu café da manhã, que envolvia uma deliciosa salada de frutas acompanhada por um suco de morango com leite, e sem me apressar roubei um tempinho a mais para relaxar no banho antes de começar mais um dia de trabalho.
A manhã, que ia muito bem, só tendia a melhorar. Naquele mesmo dia eu iria ao cinema com um colega de trabalho, que dependendo de mim seria mais do que apenas um colega, se é que me entendem. Aproveitei então meu horário de almoço para ir em casa escolher a roupa certa para o encontro mais tarde. Como de costume, liguei a televisão enquanto preparava o almoço e escolhia a roupa. Para minha surpresa, mais uma vez, não ouvi nenhuma matéria que pudesse tirar o sorriso que carregava no rosto, além de poder apreciar o lindo dia que fazia lá fora, incrivelmente ensolarado (levando em conta a terrível instabilidade do atual clima de Goiânia).
Então lá estava eu às 18h no shopping Flamboyant naquele que, insisto em repetir, parecia ser um dia perfeito. A sessão do filme seria apenas às 19h40, portanto ainda teria bastante tempo para conversar com meu amigo. Estacionei meu carro em uma ótima vaga perto da entrada principal do shopping e segui para o local em que combinamos de nos encontrar. Trinta minutos depois, enquanto ainda esperava por Otto (o tal amigo que pelo visto havia me dado um bolo) vi algumas pessoas correndo para fora do shopping e então resolvi segui-las.
O caos estava estabelecido. Incrivelmente, um avião de pequeno porte acabara de cair em cima do que a meu ver pareciam ser em torno de 20 carros. Sim, lá estava a grande tragédia que as televisões guardaram para mim durante o dia inteiro. Desesperada, saí à procura do meu carro para ficar longe daquele desastre o mais rápido possível, e para minha surpresa, dessa vez nada agradável, descobri que ele encontrava-se junto aos destroços daquele acidente.
Não quis nem saber, peguei um taxi e voei para minha casa. Já como um hábito logo liguei a televisão. Infelizmente, sem conseguir desligá-la fui absorvendo todas aquelas informações sobre o tal acidente que eu acabara de presenciar. Uma tragédia, aparentemente um homem havia seqüestrado sua filha, roubado o avião e se atirado naquele estacionamento. Os dois morreram.
Eu, que estava sozinha em casa só fiquei a pensar: melhor acordar ouvindo tragédias na televisão do que presenciá-las. No final das contas perdi o carro, o filme e a noite.

Nossa, amiga! Arrasou! Muito boa a sua reportagem!!!
=)